quinta-feira, 24 de julho de 2014

O amor | por Eliane Goldfeld

A presença do outro me serve como exata medida da minha solidão. De que nenhum outro corpo que esteja ao meu lado, ou até mesmo dentro de mim, pode se fundir ao meu. Porque o meu corpo repulsa as partes estranhas, por mais amadas que possam ser. O meu corpo é infinito, mas é infinito dentro do meu ser e das suas próprias formas. Nada mais e nada menos do que isso. O verdadeiro amor, imagino, deve ser quando dois corpos distintos se unem harmonicamente, e tão harmonicamente se separam, sem que nenhum dos dois se sinta vazio ao se separar, mas, sim, fortalecido e revitalizado. Saber-se só é compreender que não somos seres amputados e, por isso, não vivemos para buscar no outro um membro que nos falta. O outro é interação, é troca, é afeto. O amor capenga é puro desgaste, perda de energia, sofrimento vão. Tudo o que mais necessito eu devo buscar dentro de mim. E, se buscar, certamente encontrarei. E serei plena, completa, feliz por vivenciar o verdadeiro amor. Que não castra, não acorrenta e não degrada porque é a própria força vital que nos alimenta.

Um comentário:

  1. Procurando mais informações sobre a autora Eliane Goldfeld, acabei encontrando o canal Toda Poesia no youtube (https://www.youtube.com/channel/UC0tIiRCMkHlZ2ITJCBO0E_w). Não achei nada sobre a Eliane... Obrigada.

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